Um quarto de século atrás a banda de metal brasileira Sepultura balançou o mundo do metal com Roots. Lembro de toda expectativa para o lançamento do álbum, primeiro após o bem sucedido Chaos A.D., tornando a banda referência do Thrash Metal mundial.

MTV e revistas especializadas acompanhavam cada passo da gravação de Roots, narrando a viagem aos índios xavantes, a participação inusitada de Carlinhos Brown e todos os detalhes do que viriam a ser seu álbum mais bem sucedido.

20 de fevereiro de 1996 foi escolhida como a data do lançamento mundial. Numa época em que o acesso às informações e conteúdos ainda era caótico (a internet ainda nascia no Brasil), a expectativa era grande para colocar a mão em um CD e ouvi-lo inteiro, como se não houvesse amanhã.

Elementos brasileiros em Roots

Desde Chaos A.D. a banda já vinha incorporando elementos culturais e musicais brasileiros em algumas composições. A bateria de Igor Cavalera em Refuse/Resist é um tributo à percussão brazuca, Kaiowas então é uma instrumental com batidas indígenas. Essa mudança no som dos caras criou uma identidade única no Thrash Metal. Se até o Arise o que se ouvia era um baita som inspirado nas bandas da Bay Area, berço do Thrash americano, agora existia um novo jeito de fazer metal pesado, o estilo Sepultura.

Depois dessas primeiras experiências, os ritmos brasileiros entram de cabeça em Roots. Attitude é a faixa que deixa isso mais claro. A intro de berimbau e a bateria seca de Igor trazem um novo estilo à cena. O clipe de Attitude tocou à exaustão na MTV mundial, disseminando a nova porrada da banda.

Mas é na música de abertura que o mundo se curvou ao Sepultura. Roots Bloody Roots foi o primeiro single e é o maior sucesso da banda, sendo sempre a última música dos setlists até hoje. Você pode não gostar do estilo, achar que não conhece nada da banda, mas essa música você já ouviu pelo menos uma vez na vida.

Cover do Bob Marley

Durante todo período de especulação pré-lançamento comentava-se sobre um cover de Bob Marley gravado pela banda. Porém a música ficou de fora do set final do álbum (exceto em algumas versões especiais do disco lançadas em alguns países). War acabou saindo como b-side e mostrou uma das faixas mais legais já feitas com o legado de Marley.

Trazendo elementos do Thrash clássico da banda, com efeitos que lembram o metal industrial, é baita cover, música obrigatória na playlist de qualquer fã da banda.

Carlinhos Brown e sua aparição inusitada em Roots

A banda queria colocar o Brasil em evidência no álbum. Índios Xavantes, percussão, berimbau e Carlinhos Brown, tudo no mesmo caldeirão. Ratamahatta é baseada em percussão afro-brasileira, tem uma lance meio tribal, meio vodu. Mesma com uma letra em português, meio sem nexo, trazendo elementos tipicamente periféricos brasileiros, é um baita som legal, mas que fez os mais ortodoxos torcerem o nariz para as aparições de Brown nas apresentações da banda.

No auge, a queda

Meses depois do maior registro da banda, de alçarem o Brasil e seu estilo de metal ao Mainstream, a banda entrou numa treta gigantesca causada pela empresária Glória, esposa de Max e o restante da banda. Max tomou as dores da esposa e resolveu sair fora, exatamente quando o Sepultura chegava ao ápice da cena do rock mundial.

O legado de Roots é sentido até hoje. O respeito que a banda conquistou continua inabalado por conta deste álbum. Max e Igor Cavalera continuam sendo reverenciados no mundo pelo que fizeram no Sepultura e Roots Bloody Roots ainda é o maior sucesso da banda e a música que fecha seus shows.

25 anos depois a experiência de ouvir Roots ainda é a mesma. Discaço que surpreende pelas composições e pela excelente produção de Ross Robinson. Baita orgulho para o metal brasileiro.