E lá se vão 25 anos de Holy Land, o álbum conceitual do Angra que narra a chegada dos europeus à Terra Sagrada. Da intro até a última nota a experiência em ouvir Holy Land é única, é uma viagem junto aos navegadores da época. A ansiedade, a vontade pela conquista, os medos, as incertezas, a chegada às Américas, está tudo lá.

Meu envolvimento com Holy Land

Tive a honra de ter contato com o material antes do lançamento. Na época eu cursava a faculdade de Jornalismo e era colega de sala do grande Cláudio Vicentin, hoje editor da Roadie Crew. Na época a publicação era um fanzine que engatinhava e o Cláudio acumulava a função de roadie de bateria do Confessori.

Aí o Claudio me aparece com uma fita cassete com uma pré-produção do novo álbum do Angra. Fã que sempre fui voltei pra casa ouvindo no talo do meu velho walkman. Acredito que minha expressão no ônibus de volta para casa deveria ser de surpresa, máxima excitação e perplexidade. Que noite foi aquela, que álbum era aquele. Nem dava para acredita que se tratava de uma banda brasileira, banda que eu já tinha assistido na turnê do Angels Cry, mas como é que aqueles meninos tinham feito isso?

25 anos de Holy Land, mas parece que foi ontem

Nem o falecimento precoce e triste do maestro André Matos parece deixar Holy Land tão distante assim. Um quarto de século parece muito, mas a obra não é nem um pouco datada e continua sublime.

A abertura com Crossing (uma espécie de missa do século 15) é sensacional, tantos elementos que remetem imediatamente ao período tratado na história do disco. Ela é a ponte perfeita par Nothing to Say, um power metal vigoroso com uma percussão cheia de brasilidade, a música continua sendo uma das mais queridas dos fãs e ainda faz parte dos setlists dos shows.

André Matos e Rafael Bittencourt estavam inspirados. Carolina IV é, sem dúvida, das minha preferidas da banda, mesmo com seu mais de 10 minutos de duração. Deep Blue é daquelas baladas de cair o queixo, com nuances clássicas, vocais poderosos e um solo de guitarra inesquecível. Z.I.T.O é um baita som, o mais rápido e metal de todo disco. Faixa a faixa a obra é perfeita, mostrando que André Matos, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Luiz Mariutti e Ricardo Confessori estão no Olimpo do Power Metal mundial.

Uma obra como Holy Land é para consagrar qualquer músico. Que os deuses do metal abençoem a banda pelo trabalho e ao Cláudio Vincentin pela fita cassete e o deleite que foi consumir essa obra-prima em primeira mão. Vida longa a Holy Land, vida longa ao legado do imortal André Matos.